A novela, como todas as escritas por Aguinaldo Silva, com exceção de "Vale tudo" (88) - co-escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères - e "Tieta" (89), era um lixo. Chata, sem personalidade, com personagens rasos e uma trama central pra lá de batida contada com preguiça e sem criatividade, "O outro" ocupou o horário nobre da Globo entre março e outubro de 1987 sem cativar o espectador a ponto de tornar-se referência ou despertar saudades - e isso que foi substituída pela tenebrosa "Mandala", escrita por Dias Gomes e que tentou atualizar o mito de Édipo e Jocasta para o século XX. Marcando a volta de Francisco Cuoco às novelas depois de um afastamento de três anos - sua última atuação na TV havia sido em "Eu prometo", encerrada em 1984 e que foi o derradeiro trabalho da mestra Janete Clair - "O outro" usava o velho artifício da troca de sósias para misturar as vidas de um empresário milionário e o dono de um humilde ferro-velho depois de uma explosão em um posto de gasolina. Sem oferecer maiores novidades à plateia, Aguinaldo escreveu uma novela repleta de problemas de bastidores - a regravação de todo o trabalho do diretor Marcos Paulo, afastado por conflitos com outros profissionais; a dificuldade de escalar uma das atrizes principais (Glória Menezes e Vera Fischer recusaram o papel que acabou ficando com Natália do Valle); as críticas pela semelhança da trama principal com outras novelas mais antigas - que tampouco legou à história do gênero alguma personagem marcante: o mais próximo que chegou disso foi criar Glorinha da Abolição, uma hippie tardia que vendia artesanato na praia de Copacabana e que, na atuação de Malu Mader, tornou-se a queridinha da audiência.
Porém, apesar de seus inúmeros defeitos, "O outro" tinha uma qualidade quase redentora: sua trilha sonora. Tanto a versão nacional, cuja capa estampava a então estreante Luma de Oliveira, quanto a internacional, com Malu Mader vestida de Glorinha da Abolição, apresentavam músicas que marcaram o final da década de 80 e que ilustravam com perfeição as cenas criadas pelo autor. O LP nacional já começava com um mestre: Gilberto Gil cantava "O mar de Copacabana", tema de Índia do Brasil (Yoná Magalhães, em papel escrito para Betty Faria), a gerente do ferro-velho de Denizard de Mattos (Cuoco) que não escondia a paixão pelo chefe. Maria Bethânia vinha logo em seguida com "Quero ficar com você", que embalava as cenas românticas de Laura (Natália do Valle), esposa do empresário Paulo Della Santa (novamente Cuoco) que estava com o casamento em crise na ocasião do acidente que quase matou seu marido. "O nosso amor a gente inventa", na voz de Cazuza, era a música-tema de Cíntia (Beth Goulart), filha mais velha de Paulo, e "Doublé de corpo", da banda Heróis da Resistência, ilustrava o dia-a-dia da modelo Dedé (Luma de Oliveira fazendo papel de filha de sua irmã mais velha, Ísis). "Esquece e vem", de Nico Rezende, era outra trilha sonora de Laura, dessa vez em sua relação com Denizard, que asssumia, desmemoriado, o lugar de Paulo na família do sósia. O lado A do disco acabava com Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros com a clássica "Kátia Flávia", cuja letra em ritmo acelerado servia de ponte entre as cenas, junto a imagens da praia que era cenário da trama central.
O lado B também não começava mal, com a bela "Amanhã é 23", interpretada por Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e que identificava os dramas de Glorinha da Abolição. "Fogo de saudade", na voz de Beth Carvalho, era o tema de Agostinho (José Lewgoy), o velho pai de Paulo que encontrava na jovem hippie uma amizade inesperada. "O mundo é um moinho", clássico de Cartola, aparecia em cena através de Ney Matogrosso, e servia como tema para o mau-caráter João Silvério (Miguel Falabella), irmão de Laura que se envolvia com Cíntia mesmo contra a vontade do pai da jovem. "Quem me olha só", com o grupo Barão Vermelho, era a música do romance entre tapas e beijos do casal Genésio (José de Abreu forçando um caricato sotaque gaúcho) e Edwiges (Cláudia Raia em seu papel de menor destaque na televisão e imediatamente anterior à Tancinha de "Sassaricando", que a consagraria como comediante). Sandra Sá (antes de acrescentar o "de" em seu nome) comparecia com a linda "Retratos e canções", que tornou-se sucesso ao comentar o romance entre Zezinha (Cláudia Abreu em sua segunda novela e primeira do horário nobre) e Pedro Ernesto (Marcos Frota), filhos dos dois sósias que o destino (ou o roteiro de Aguinaldo) uniu em um romance problemático. A trilha nacional encerra com o tema de abertura da novela, "Flores em você", da banda Ira.
O disco internacional também tinha pérolas imperdíveis da década de 80. Começava com "Coming around again", tema do filme "A dificil arte de amar" que, na doce voz de Carly Simon, também servia para as cenas de Índia do Brasil. "Don't dream it's over", com Crowded House, era a música de Denizard em suas aventuras românticas e "The miracle of love", da banda Eurithmics (da diva Annie Lennox) embalava o romance entre Cíntia e João Silvério. Menos conhecidas, as canções "At the back of my heart" (M.C.R.) e "You're the voice" (John Farham) serviam para costurar as cenas da novela, mas a linda "Words get in the way", com Gloria Estephan & Miami Sound Machine servia para os dramas amorosos de Laura e "This love", do grupo Bad Company, para acompanhar Dedé e seu envolvimento com Benjamin (Flávio Galvão), um comportado pai de família que enlouquece com sua beleza jovem.
O lado B do disco abre com outro clássico: "Don't get me wrong", com The Pretenders, que servia para acompanhar Glorinha da Abolição e seus problemas pessoais e românticos. Tina Turner entrava em cena com "Two people" - tema de Zezinha e Pedro Ernesto. "Never gonna leave you" (Subject), e "Stay the night" (Benjamin Orr) não tinham personagem fixo, assim como a delicada "Foolish pride" (Sasha), porém, as duas últimas canções do disco embalaram muitas festinhas de garagem. "I'll be over you" (Toto) era a música do casal Genésio/Edwiges e "Thousand miles from home" (Jim Porto) enfatizava o tom misterioso de Gabriel (Herson Capri em papel criado para Marcos Paulo como forma de desagravo por sua saída da direção da novela e que foi recusado por ele).
Mesmo que seja uma novela que não deixou marcas ou lembranças positivas no telespectador, "O outro" valeu por sua trilha sonora, que reuniu grandes canções clássicas de seu tempo em um mesmo pacote. E de quebra tinha Malu Mader - no auge do sucesso - ilustrando uma das capas mais clássicas da história da Som Livre.
TRILHA NACIONAL
1. MAR DE COPACABANA - Gilberto Gil
2. QUERO FICAR COM VOCÊ - Maria Bethânia
3. O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA - Cazuza
4. DOUBLÉ DE CORPO - Heróis da Resistência
5. ESQUECE E VEM - Nico Rezende
6. KÁTIA FLÁVIA - Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros
7. AMANHÃ É 23 - Kid Abelha e os Abóboras Selvagens
8. FOGO DE SAUDADE - Beth Carvalho
9. O MUNDO É UM MOINHO - Ney Matogrosso
10. QUEM ME OLHA SÓ - Barão Vermelho
11. RETRATOS E CANÇÕES - Sandra Sá
12. FLORES EM VOCÊ - Ira
TRILHA INTERNACIONAL
1. COMING AROUND AGAIN - Carly Simon
2. DON'T DREAM IT'S OVER - Crowded House
3. THE MIRACLE OF LOVE - Eurithmics
4. AT THE BACK OF MY HEART - M.C.R.
5. YOU'RE THE VOICE - John Farham
6. WORDS GET IN THE WAY - Gloria Estefan & The Miami Sound Machine
7. THIS LOVE - Bad Company
8. DON'T GET ME WRONG - The Pretenders
9. TWO PEOPLE - Tina Turner
10. NEVER GONNA LEAVE YOU - Subject
11. STAY THE NIGHT - Benjamin Orr
12. FOOLISH PRIDE - Sasha
13. I'LL BE OVER YOU - Toto
14. THOUSAND MILES FROM HOME - Jim Porto
Pro bem ou pro mal, a televisão já é, indelevelmente, parte do cotidiano de todos nós. Aqui você encontrará textos críticos sobre programas de TV - novos e antigos -, trilhas sonoras, livros a seu respeito e um canal de bate-papo para discutir as qualidades e defeitos da máquina de fazer doido.
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sexta-feira, 13 de março de 2015
domingo, 22 de dezembro de 2013
TRILHAS SONORAS INESQUECÍVEIS - TOP MODEL
Em 1989 o público juvenil ainda não tinha "Malhação" e já estava órfão da série "Armação ilimitada", que, com sua linguagem inovadora e personagens de fácil identificação com sua audiência havia se tornado programa obrigatório. Preenchendo esse vácuo, a novela "Top Model" estreou em setembro proporcionando ao espectador um encontro entre o folhetim clássico capaz de agradar aos fãs do gênero e o tom leve e esperto que faltava à vasta plateia adolescente - representados respectivamente pelos autores Walter Negrão e Antonio Calmon. Calmon - diretor de filmes direcionados à juventude, como "Menino do Rio" e "Garota dourada" - fazia sua estreia como autor de novelas e não poderia ter sido mais bem-sucedido. Grande sucesso no horário das 19h, "Top Model" marcou uma geração e chegou a ser reprisada meros oito meses após seu último capítulo ter sido apresentado, numa prova inconteste de seu êxito.
A trama de "Top Model" não apresentava, a rigor, nenhuma grande novidade. A protagonista, Duda Pinheiro (Malu Mader no auge da beleza e da popularidade) era uma jovem do interior que se muda para o Rio de Janeiro acompanhada da mãe, Cleide (Suzana Faini) com o objetivo de fazer carreira como modelo. Para sua sorte, logo que chega ela assume o posto de top model da confecção do empresário Alex Kundera (Cecil Thiré), a Covery. Apaixonada pelo misterioso Lucas (Taumaturgo Ferreira, marido de Malu à época, o que justifica sua escalação) - que chegou ao Rio em busca ds seu pai desconhecido, que ele julga ser Alex - Duda vê seu romance sofrer a repressão das regras impostas por seu chefe, que não quer vê-la envolvida com nenhum homem. Enquanto isso, a trama também seguia a difícil relação entre Alex e seu irmão caçula, Gaspar (Nuno Leal Maia), que mora em uma casa à beira da praia com a atual esposa Marisa (Maria Zilda então assinando Bethlem), o cachorro Maradona e os cinco filhos - todos de mães diferentes. Bem-humorado e otimista, Gaspar é o oposto do irmão mais velho e conta sempre com a ajuda da faz-tudo Naná (Zezé Polessa em sua primeira novela, substituindo Bruna Lombardi, a primeira escolha para o papel), apaixonada por ele, e do melhor amigo, Saldanha (Evandro Mesquita), dono de um quiosque de sanduíches naturais.
Os filhos de Gaspar eram os responsáveis pela ala jovem da novela, discutindo assuntos de interesse da faixa etária a que pertenciam, como virgindade, masturbação, primeira menstruação, gravidez na adolescência e primeiro amor sem ransos moralistas ou um peso inadequado. Vividos por Marcelo Faria (Elvis), Gabriela Duarte (Olivia), Carol Machado (Jane), Henrique Farias (Ringo) e Igor Lage (Lennon), os filhos de Gaspar conquistaram o público sem maior esforço, dividindo a atenção com outras figuras de destaque na trama, como Drica Moraes, que estreava gloriosamente como a empregada Cida, que vivia um amor bandido com Paulinho (o saudoso Chiquinho Brandão) e viu seu papel aumentar no decorrer da novela e Júnior (Rodrigo Penna), filho de Alex que desafogava sua carência criando brincadeiras macabras para assustar a governanta Simone (Jacqueline Lawrence).
Outro grande sucesso de "Top Model" foi a sua trilha sonora, com canções que ilustravam com precisão as histórias contadas pelos autores - e tinha a atriz Suzy Rego (a modelo Carla da novela) na capa. Se a banda Buana 4 - que cantava a música de abertura, "Eu só quero ser feliz" - não vingou, os demais intérpretes de seu LP nacional são figurinhas carimbadas do cenário pop brasileiro. Lobão marcava presença com "Essa noite não (Marcha à ré em Paquetá)", tema de Alex e Djavan apresentava a sua inesquecível "Oceano" para embalar o romance entre Duda e Lucas. Kiko Zambianchi cantava a sua versão da beatle "Hey, Jude", tema de Gaspar. "Dizer não é dizer sim", cantada por Kid Abelha era a música-tema de Elvis e Tininha (Adriana Esteves em sua primeira novela) e "Babilônia maravilhosa", do ator/cantor Evandro Mesquita ilustrava as aventuras de seu personagem, Saldanha. O lado A era encerrrado com a instrumental "Memories", tema de Jacques (Jonas Bloch) e Lia (Denise Del Vecchio), os pais do jovem Arthur (Jonas Torres), que se via dividido entre as irmãs Olivia e Jane depois de uma cirurgia no cérebro.
O lado B da trilha nacional começava com a clássica "À francesa", de Marina Lima, tema de Duda e que hoje é indissociável da personagem. "Bobagem", na voz de Léo Jaime, era o tema de Marisa e "Independência e vida", cantada por Rita Lee, emoldurava a vida de Naná. O onipresente Fábio Jr. também emprestava seu talento à trilha, com "Vida", apresentada nas cenas da hilária Cida. O romance entre Olívia e Arthur tinha como tema a bela "Fica comigo", da banda Placa Luminosa e as descobertas sexuais de Ringo eram ilustradas pela debochada "Nega bom bom", do grupo gaúcho Cascavelettes - música que cunhou a expressão "punhetinha de verão". O mundo da moda tinha como fundo musical a instrumental "Passarela", gravada por Nova Era.
O disco internacional da novela tinha a bela Malu Mader em sua capa. Richard Marx abria o álbum com "Right here waiting", tema das cenas românticas entre Duda e Lucas. Saldanha tinha suas cenas embaladas pela banda Fine Young Cannibals e sua "Don't look back" e Gaspar teve a sorte de ter seus melhores momentos ilustrados pela clássica "Stairway to heaven", da cultuada Led Zeppelin. O romance entre Arthur e Olívia mereceu como trilha internacional a bela "I don't wanna lose you", com a poderosa Tina Turner. A banda de Danny Elfman, Oingo Boingo, cantava a música do núcleo jovem da novela, "Stay" e a paixão de Naná por Gaspar tinha como comentário musical "One more time", de Phillippe Lawrence. O lado A terminava com "Albatross", tema de Marvin (Miguel Magno), que, de homossexual convicto, se viu apaixonado por uma mulher sem as polêmicas que envolvem o tema hoje em dia.
O lado B abria com Gloria Estefan e "Don't wanna lose you", tema do triângulo amoroso Olivia/Arthur/Jane e seguia com "Wish you were here", dos Bee Gees, que era a música do romance surgido entre Lucas e Giulia (Alexandra Marzo), que atrapalhava o par central em sua busca pela felicidade. Alex e Irma (Vera Holtz) tinham como música a bela "No more boleros", de Gerard Joling e a maior fraude musical do final dos anos 80, Milli Vanilli, cantava "I'm gonna miss you", tema de Marisa. "Heaven", da banda Warrant, seguia Carla (Suzy Rego) por suas cenas, assim como "Call it love" - do desconhecido grupo Poco - era o som por trás do casamento precoce entre Elvis e Tininha. Encerrando a trilha estava "Give me action", da cantora Debbie Day, que era a canção internacional dedicada à Cida - uma prova do aumento de importância da personagem de Drica Moraes.
Reapresentada recentemente pelo Canal Viva, "Top Model" mostrou que perdeu seu frescor, mostrando um texto um tanto ingênuo e frágil. Ainda assim, permanece inesquecível nos ouvidos de seu público original.
TRILHA NACIONAL:
1. EU SÓ QUERO SER FELIZ - Buana 4
2. ESSA NOITE NÃO (Marcha à ré em Paquetá) - Lobão
3. OCEANO - Djavan
4. HEY, JUDE - Kiko Zambianchi
5. DIZER NÃO É DIZER SIM - Kid Abelha e os Abóboras Selvagens
6. BABILÔNIA MARAVILHOSA - Evandro Mesquita
7. MEMORIES - Rob Little
8. À FRANCESA - Marina
9. BOBAGEM - Léo Jaime
10. INDEPENDÊNCIA E VIDA - Rita Lee
11. VIDA - Fábio Jr.
12. FICA COMIGO - Placa Luminosa
13. NEGA BOM BOM - Os Cascavelettes
14. PASSARELA - Nova Era
TRILHA INTERNACIONAL:
1. RIGHT HERE WAITING - Richard Marx
2. DON'T LOOK BACK - Fine Young Cannibals
3. STAIRWAY TO HEAVEN - Led Zeppelin
4. I DON'T WANNA LOSE YOU - Tina Turner
5. STAY - Oingo Boingo
6. ONE MORE TIME - Phillipe Lawrence
7. ALBATROSS - Vikings
8. DON'T WANNA LOSE YOU - Gloria Estefan
9. WISH YOU WERE HERE - Bee Gees
10. NO MORE BOLEROS - Gerard Jolling
11. I'M GONNA MISS YOU - Milli Vanilli
12. HEAVEN - Warrant
13. CALL IT LOVE - Poco
14. GIVE ME ACTION - Debbie Day
A trama de "Top Model" não apresentava, a rigor, nenhuma grande novidade. A protagonista, Duda Pinheiro (Malu Mader no auge da beleza e da popularidade) era uma jovem do interior que se muda para o Rio de Janeiro acompanhada da mãe, Cleide (Suzana Faini) com o objetivo de fazer carreira como modelo. Para sua sorte, logo que chega ela assume o posto de top model da confecção do empresário Alex Kundera (Cecil Thiré), a Covery. Apaixonada pelo misterioso Lucas (Taumaturgo Ferreira, marido de Malu à época, o que justifica sua escalação) - que chegou ao Rio em busca ds seu pai desconhecido, que ele julga ser Alex - Duda vê seu romance sofrer a repressão das regras impostas por seu chefe, que não quer vê-la envolvida com nenhum homem. Enquanto isso, a trama também seguia a difícil relação entre Alex e seu irmão caçula, Gaspar (Nuno Leal Maia), que mora em uma casa à beira da praia com a atual esposa Marisa (Maria Zilda então assinando Bethlem), o cachorro Maradona e os cinco filhos - todos de mães diferentes. Bem-humorado e otimista, Gaspar é o oposto do irmão mais velho e conta sempre com a ajuda da faz-tudo Naná (Zezé Polessa em sua primeira novela, substituindo Bruna Lombardi, a primeira escolha para o papel), apaixonada por ele, e do melhor amigo, Saldanha (Evandro Mesquita), dono de um quiosque de sanduíches naturais.
Os filhos de Gaspar eram os responsáveis pela ala jovem da novela, discutindo assuntos de interesse da faixa etária a que pertenciam, como virgindade, masturbação, primeira menstruação, gravidez na adolescência e primeiro amor sem ransos moralistas ou um peso inadequado. Vividos por Marcelo Faria (Elvis), Gabriela Duarte (Olivia), Carol Machado (Jane), Henrique Farias (Ringo) e Igor Lage (Lennon), os filhos de Gaspar conquistaram o público sem maior esforço, dividindo a atenção com outras figuras de destaque na trama, como Drica Moraes, que estreava gloriosamente como a empregada Cida, que vivia um amor bandido com Paulinho (o saudoso Chiquinho Brandão) e viu seu papel aumentar no decorrer da novela e Júnior (Rodrigo Penna), filho de Alex que desafogava sua carência criando brincadeiras macabras para assustar a governanta Simone (Jacqueline Lawrence).
Outro grande sucesso de "Top Model" foi a sua trilha sonora, com canções que ilustravam com precisão as histórias contadas pelos autores - e tinha a atriz Suzy Rego (a modelo Carla da novela) na capa. Se a banda Buana 4 - que cantava a música de abertura, "Eu só quero ser feliz" - não vingou, os demais intérpretes de seu LP nacional são figurinhas carimbadas do cenário pop brasileiro. Lobão marcava presença com "Essa noite não (Marcha à ré em Paquetá)", tema de Alex e Djavan apresentava a sua inesquecível "Oceano" para embalar o romance entre Duda e Lucas. Kiko Zambianchi cantava a sua versão da beatle "Hey, Jude", tema de Gaspar. "Dizer não é dizer sim", cantada por Kid Abelha era a música-tema de Elvis e Tininha (Adriana Esteves em sua primeira novela) e "Babilônia maravilhosa", do ator/cantor Evandro Mesquita ilustrava as aventuras de seu personagem, Saldanha. O lado A era encerrrado com a instrumental "Memories", tema de Jacques (Jonas Bloch) e Lia (Denise Del Vecchio), os pais do jovem Arthur (Jonas Torres), que se via dividido entre as irmãs Olivia e Jane depois de uma cirurgia no cérebro.
O lado B da trilha nacional começava com a clássica "À francesa", de Marina Lima, tema de Duda e que hoje é indissociável da personagem. "Bobagem", na voz de Léo Jaime, era o tema de Marisa e "Independência e vida", cantada por Rita Lee, emoldurava a vida de Naná. O onipresente Fábio Jr. também emprestava seu talento à trilha, com "Vida", apresentada nas cenas da hilária Cida. O romance entre Olívia e Arthur tinha como tema a bela "Fica comigo", da banda Placa Luminosa e as descobertas sexuais de Ringo eram ilustradas pela debochada "Nega bom bom", do grupo gaúcho Cascavelettes - música que cunhou a expressão "punhetinha de verão". O mundo da moda tinha como fundo musical a instrumental "Passarela", gravada por Nova Era.
O disco internacional da novela tinha a bela Malu Mader em sua capa. Richard Marx abria o álbum com "Right here waiting", tema das cenas românticas entre Duda e Lucas. Saldanha tinha suas cenas embaladas pela banda Fine Young Cannibals e sua "Don't look back" e Gaspar teve a sorte de ter seus melhores momentos ilustrados pela clássica "Stairway to heaven", da cultuada Led Zeppelin. O romance entre Arthur e Olívia mereceu como trilha internacional a bela "I don't wanna lose you", com a poderosa Tina Turner. A banda de Danny Elfman, Oingo Boingo, cantava a música do núcleo jovem da novela, "Stay" e a paixão de Naná por Gaspar tinha como comentário musical "One more time", de Phillippe Lawrence. O lado A terminava com "Albatross", tema de Marvin (Miguel Magno), que, de homossexual convicto, se viu apaixonado por uma mulher sem as polêmicas que envolvem o tema hoje em dia.
O lado B abria com Gloria Estefan e "Don't wanna lose you", tema do triângulo amoroso Olivia/Arthur/Jane e seguia com "Wish you were here", dos Bee Gees, que era a música do romance surgido entre Lucas e Giulia (Alexandra Marzo), que atrapalhava o par central em sua busca pela felicidade. Alex e Irma (Vera Holtz) tinham como música a bela "No more boleros", de Gerard Joling e a maior fraude musical do final dos anos 80, Milli Vanilli, cantava "I'm gonna miss you", tema de Marisa. "Heaven", da banda Warrant, seguia Carla (Suzy Rego) por suas cenas, assim como "Call it love" - do desconhecido grupo Poco - era o som por trás do casamento precoce entre Elvis e Tininha. Encerrando a trilha estava "Give me action", da cantora Debbie Day, que era a canção internacional dedicada à Cida - uma prova do aumento de importância da personagem de Drica Moraes.
Reapresentada recentemente pelo Canal Viva, "Top Model" mostrou que perdeu seu frescor, mostrando um texto um tanto ingênuo e frágil. Ainda assim, permanece inesquecível nos ouvidos de seu público original.
TRILHA NACIONAL:
1. EU SÓ QUERO SER FELIZ - Buana 4
2. ESSA NOITE NÃO (Marcha à ré em Paquetá) - Lobão
3. OCEANO - Djavan
4. HEY, JUDE - Kiko Zambianchi
5. DIZER NÃO É DIZER SIM - Kid Abelha e os Abóboras Selvagens
6. BABILÔNIA MARAVILHOSA - Evandro Mesquita
7. MEMORIES - Rob Little
8. À FRANCESA - Marina
9. BOBAGEM - Léo Jaime
10. INDEPENDÊNCIA E VIDA - Rita Lee
11. VIDA - Fábio Jr.
12. FICA COMIGO - Placa Luminosa
13. NEGA BOM BOM - Os Cascavelettes
14. PASSARELA - Nova Era
TRILHA INTERNACIONAL:
1. RIGHT HERE WAITING - Richard Marx
2. DON'T LOOK BACK - Fine Young Cannibals
3. STAIRWAY TO HEAVEN - Led Zeppelin
4. I DON'T WANNA LOSE YOU - Tina Turner
5. STAY - Oingo Boingo
6. ONE MORE TIME - Phillipe Lawrence
7. ALBATROSS - Vikings
8. DON'T WANNA LOSE YOU - Gloria Estefan
9. WISH YOU WERE HERE - Bee Gees
10. NO MORE BOLEROS - Gerard Jolling
11. I'M GONNA MISS YOU - Milli Vanilli
12. HEAVEN - Warrant
13. CALL IT LOVE - Poco
14. GIVE ME ACTION - Debbie Day
sábado, 14 de dezembro de 2013
TRILHAS SONORAS INESQUECÍVEIS - MANDALA
A novela não foi grande coisa. A promessa de trazer o mito de Édipo para os dias atuais - situando o romance entre Jocasta e Laio no auge da ditadura militar - e a ousadia de contar uma história de amor entre mãe e filho que não sabiam de tal condição não encontrou fôlego para uma narrativa longa e ainda foi prejudicada pela ação da Censura, que não viu com bons olhos a sinopse da trama de Dias Gomes - talvez lhes fosse saudável conhecer um pouco mais sobre teatro grego, afinal. Acontece que "Mandala" não ficou marcada no imaginário popular, a despeito de alguns personagens populares, como o bicheiro Tony Carrado, vivido por Nuno Leal Maia na sua melhor atuação de sua carreira.
Porém, se a trama deixou a desejar, a trilha sonora da novela agradou em cheio. Tanto a versão nacional - que inclui a hoje clássica "O amor e o poder" - quanto a internacional - que conta com Whitney Houston, U2 e Duran Duran, entre outros - são infinitamente superiores ao que a Globo lança hoje em dia (com raríssimas exceções). Para estrear a sessão "Trilhas Inesquecíveis", vamos relembrar as canções que fizeram parte da vida dos espectadores globais entre outubro de 1987 e maio de 1988.
O lado A - sim, a trilha é do tempo dos discos de vinil - começa com a música de abertura da novela, a instrumental "Mitos", de César Camargo Mariano, que já dava o tom místico que Dias e Marcílio Moraes tentavam imprimir à trama - Laio (Taumaturgo Ferreira na primeira fase, Perry Salles na segunda) tinha um guru, Argemiro (Marco Antonio Pâmio dividindo o papel com Carlos Augusto Strazzer), com quem mantinha uma amizade bastante suspeita, nunca explorada a contento, provavelmente devido ao olho vigilante da Censura. A segunda música da trilha - que tem Vera Fischer na capa, esbanjando a beleza que havia privado dos telespectadores por seis anos de um auto-exílio nos palcos - é "Viagem ao fundo do ego", da banda Egotrip, que ilustrava as aventuras do publicitário Édipo (Felipe Camargo) em Brasília, onde morava com os pais adotivos (Angela Leal e Oswaldo Loureiro) ou no Rio de Janeiro, para onde se muda no início da novela. Depois, é a vez de "Dou-não-dou", na voz de Djavan, música-tema do romance juvenil entre Laio e Jocasta (Giulia Gam estreando em novelas com destaque merecido). "O amor e o poder", que levou Rosana aos primeiros lugares das paradas de sucesso, é a quarta faixa, embalando os devaneios românticos da protagonista interpretada por Vera (e cujo "como uma deusa" do refrão inspirou o apelido da personagem, dado pelo eterno apaixonado Tony Carrado).
Alceu Valença vem logo em seguida com "Bobo da corte", tema do octogenário Vovô Pepê (Paulo Gracindo), avô de Jocasta que dava trabalho à família com suas tiradas aparentemente sem sentido. A bela "Um dia, um adeus", de Guilherme Arantes, era o tema de amor entre Vera (Imara Reis) e Creonte (Gracindo Jr.), irmão de Jocasta. "Meu mestre coração", na voz tranquila de Milton Nascimento, era a moldura perfeita para Gerson (Osmar Prado), outro irmão de Jocasta, que volta ao Brasil depois de anos, transformado em monge budista e se apaixona por Mariana (Bia Seidl). E o primeiro lado encerrava-se com "A paz", obra-prima de Gilberto Gil, gravada por Zizi Possi. A linda canção acompanhava Letícia (Lúcia Veríssimo), namorada de Édipo, que posteriormente tem que brigar por ele com Jocasta.
O lado B da trilha nacional de "Mandala" é aberto com "Eu já tirei a tua roupa", que tem em Wando o intérprete ideal para comentar a paixão obsessiva de Tony Carrado por Jocasta. "Personagem", cantada por Fafá de Belém, vem logo em seguida, sendo a música dos pais adotivos de Édipo, Mercedes (Angela Leal) e Américo (Oswaldo Loureiro). "Eu quero o absurdo", na doce voz da atriz Tânia Alves é a terceira faixa, tema de Eurídice (Aída Leiner), que se envolve em um relacionamento com Apolinário Santana (Milton Gonçalves), um político casado. Zeca Pagodinho - longe de ser a quase unanimidade nacional que é hoje - comparece com "Tempo de Don Don", música do personagem de Milton. Via Negromonte - hoje atriz e casada com Nelson Xavier - é a intérprete de "Preconceito", tema de Marlucy (Anna Gallo). "Perdão", com o grupo Areia Quente, era o tema de Débora (Maria Ferreira), enquanto a banda gaúcha Garotos da Rua emplacou "Eu já sei", que era a música de Toninho (Jandir Ferrari), filho de Carrado que se envolve com Marlucy. O disco encerra com outra composição de César Camargo Mariano, "Uma mulher", também dedicada à Jocasta.
O LP internacional contava com Lúcia Veríssimo na capa. Deslumbrante, ela vinha de uma crise pessoal que resultou na sua demissão da Globo à época da novela "Roda de fogo" e encantava o público como Letícia, a apaixonada noiva de Édipo. O disco abria com "A matter of feeling", canção da banda Duran Duran que era trilha do romance entre Toninho e Marlucy. O tema de Jocasta era a linda "Didn't we almost have it all", na voz saudosa de Whitney Houston e a trilha seguia com "Sugar free", do grupo Wa Wa Nee e a inesquecível "With or without you", do U2. Letícia tinha seus dramas comentados por Glenn Medeiros e sua "Nothing's gonna change my love for you" e Little Stevens marcava presença com "Bitter fruit". O primeiro lado acabava com "No conversation", tema de Vera, cantado pelo grupo View from the hill.
O lado B começava muito bem, com a hoje clássica "Luka", da cantora folk norte-americana Suzanne Vega e segue com "Never say goodbye", do galã Bon Jovi - tema de amor entre Gerson e Mariana. Lisa Lisa & The Cult Jam, famosíssimos nos anos 80, apresentavam "Lost in emotion", enquanto Cutting Crew invadia as rádios com "I've been in love before", que ilustrava as emoções de Tony Carrado. A vida agitada de Édipo era comentada pela agitada "Let the sun shine in your heart", da banda Wind e a atualmente vintage Tiffany deixava sua marca com seu maior hit "I think we're alone now". Fechando o álbum, Kenny G. mostrava sua técnica com a bela "Songbird", que muito embalou romances nascidos em sua época.
Mesmo que tenha sido uma novela que não vale a pena ver de novo, "Mandala" mantém seu título de uma das mais interessantes trilhas sonoras, que sobrevive ao tempo, apesar de tudo. Afinal, quem nunca cantou "como uma deusaaaaa" a plenos pulmões não sabe o que é ser brega.
Porém, se a trama deixou a desejar, a trilha sonora da novela agradou em cheio. Tanto a versão nacional - que inclui a hoje clássica "O amor e o poder" - quanto a internacional - que conta com Whitney Houston, U2 e Duran Duran, entre outros - são infinitamente superiores ao que a Globo lança hoje em dia (com raríssimas exceções). Para estrear a sessão "Trilhas Inesquecíveis", vamos relembrar as canções que fizeram parte da vida dos espectadores globais entre outubro de 1987 e maio de 1988.
O lado A - sim, a trilha é do tempo dos discos de vinil - começa com a música de abertura da novela, a instrumental "Mitos", de César Camargo Mariano, que já dava o tom místico que Dias e Marcílio Moraes tentavam imprimir à trama - Laio (Taumaturgo Ferreira na primeira fase, Perry Salles na segunda) tinha um guru, Argemiro (Marco Antonio Pâmio dividindo o papel com Carlos Augusto Strazzer), com quem mantinha uma amizade bastante suspeita, nunca explorada a contento, provavelmente devido ao olho vigilante da Censura. A segunda música da trilha - que tem Vera Fischer na capa, esbanjando a beleza que havia privado dos telespectadores por seis anos de um auto-exílio nos palcos - é "Viagem ao fundo do ego", da banda Egotrip, que ilustrava as aventuras do publicitário Édipo (Felipe Camargo) em Brasília, onde morava com os pais adotivos (Angela Leal e Oswaldo Loureiro) ou no Rio de Janeiro, para onde se muda no início da novela. Depois, é a vez de "Dou-não-dou", na voz de Djavan, música-tema do romance juvenil entre Laio e Jocasta (Giulia Gam estreando em novelas com destaque merecido). "O amor e o poder", que levou Rosana aos primeiros lugares das paradas de sucesso, é a quarta faixa, embalando os devaneios românticos da protagonista interpretada por Vera (e cujo "como uma deusa" do refrão inspirou o apelido da personagem, dado pelo eterno apaixonado Tony Carrado).
Alceu Valença vem logo em seguida com "Bobo da corte", tema do octogenário Vovô Pepê (Paulo Gracindo), avô de Jocasta que dava trabalho à família com suas tiradas aparentemente sem sentido. A bela "Um dia, um adeus", de Guilherme Arantes, era o tema de amor entre Vera (Imara Reis) e Creonte (Gracindo Jr.), irmão de Jocasta. "Meu mestre coração", na voz tranquila de Milton Nascimento, era a moldura perfeita para Gerson (Osmar Prado), outro irmão de Jocasta, que volta ao Brasil depois de anos, transformado em monge budista e se apaixona por Mariana (Bia Seidl). E o primeiro lado encerrava-se com "A paz", obra-prima de Gilberto Gil, gravada por Zizi Possi. A linda canção acompanhava Letícia (Lúcia Veríssimo), namorada de Édipo, que posteriormente tem que brigar por ele com Jocasta.
O lado B da trilha nacional de "Mandala" é aberto com "Eu já tirei a tua roupa", que tem em Wando o intérprete ideal para comentar a paixão obsessiva de Tony Carrado por Jocasta. "Personagem", cantada por Fafá de Belém, vem logo em seguida, sendo a música dos pais adotivos de Édipo, Mercedes (Angela Leal) e Américo (Oswaldo Loureiro). "Eu quero o absurdo", na doce voz da atriz Tânia Alves é a terceira faixa, tema de Eurídice (Aída Leiner), que se envolve em um relacionamento com Apolinário Santana (Milton Gonçalves), um político casado. Zeca Pagodinho - longe de ser a quase unanimidade nacional que é hoje - comparece com "Tempo de Don Don", música do personagem de Milton. Via Negromonte - hoje atriz e casada com Nelson Xavier - é a intérprete de "Preconceito", tema de Marlucy (Anna Gallo). "Perdão", com o grupo Areia Quente, era o tema de Débora (Maria Ferreira), enquanto a banda gaúcha Garotos da Rua emplacou "Eu já sei", que era a música de Toninho (Jandir Ferrari), filho de Carrado que se envolve com Marlucy. O disco encerra com outra composição de César Camargo Mariano, "Uma mulher", também dedicada à Jocasta.
O LP internacional contava com Lúcia Veríssimo na capa. Deslumbrante, ela vinha de uma crise pessoal que resultou na sua demissão da Globo à época da novela "Roda de fogo" e encantava o público como Letícia, a apaixonada noiva de Édipo. O disco abria com "A matter of feeling", canção da banda Duran Duran que era trilha do romance entre Toninho e Marlucy. O tema de Jocasta era a linda "Didn't we almost have it all", na voz saudosa de Whitney Houston e a trilha seguia com "Sugar free", do grupo Wa Wa Nee e a inesquecível "With or without you", do U2. Letícia tinha seus dramas comentados por Glenn Medeiros e sua "Nothing's gonna change my love for you" e Little Stevens marcava presença com "Bitter fruit". O primeiro lado acabava com "No conversation", tema de Vera, cantado pelo grupo View from the hill.
O lado B começava muito bem, com a hoje clássica "Luka", da cantora folk norte-americana Suzanne Vega e segue com "Never say goodbye", do galã Bon Jovi - tema de amor entre Gerson e Mariana. Lisa Lisa & The Cult Jam, famosíssimos nos anos 80, apresentavam "Lost in emotion", enquanto Cutting Crew invadia as rádios com "I've been in love before", que ilustrava as emoções de Tony Carrado. A vida agitada de Édipo era comentada pela agitada "Let the sun shine in your heart", da banda Wind e a atualmente vintage Tiffany deixava sua marca com seu maior hit "I think we're alone now". Fechando o álbum, Kenny G. mostrava sua técnica com a bela "Songbird", que muito embalou romances nascidos em sua época.
Mesmo que tenha sido uma novela que não vale a pena ver de novo, "Mandala" mantém seu título de uma das mais interessantes trilhas sonoras, que sobrevive ao tempo, apesar de tudo. Afinal, quem nunca cantou "como uma deusaaaaa" a plenos pulmões não sabe o que é ser brega.
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